Identidade Perdida

As pinturas apresentadas fazem parte do meu projeto intitulado “IDENTIDADE PERDIDA”.
Este projeto sobre o universo feminino teve início em 2000 quando de minha ida a Florença, Itália, onde estudei Artes Plásticas nos Instituto Lorenzo de Médici, graças a uma bolsa de estudos da Rotary Foundation International.

Este projeto de pesquisa é uma reflexão sobre diversas questões referentes ao universo feminino através da desconstrução de clichês e imagens femininas em propagandas antigas e atuais; nos cânones dos livros de anatomia; através da representação do corpo feminino e do meu próprio corpo nu.

O nu em minha obra é questionador e provoca o espectador com grande dose de humor e ironia, criticando tabus, estereótipos e o “padrão ideal” de beleza e comportamentos femininos, resgatando minhas memórias pessoais da infância e adolescência.

O objetivo principal é iniciar um processo de questionamento da realidade, criticando o mundo ilusório e artificial das revistas femininas e de moda, onde as mulheres têm um padrão de beleza irreal.

Assim, o elemento principal e mais freqüente em minha obra, o CABIDE, passa a ser um símbolo desse processo. Um questionamento do como nossa educação familiar e escolar, além da religião e a influência da sociedade em geral e em especial da mídia, moldam nosso corpo e alma fazendo com que nos tornemos apenas imagens postas em exibição. Na era dos anabolizantes e silicones, as mulheres tornaram-se só imagens, super-objetos, e acabaram por perder a sua essência, mudaram seus valores. É essa perda de essência e a supervalorização da imagem externa que as mulheres cabides simbolizam. Elas são apenas imagens daquilo que a sociedade espera delas.

Apesar de todas as conquistas e da suposta “liberação feminina”, a mulher atual continua “bem comportada”. As algemas de sua infância ainda marcam fundo sua pele. Ela interiorizou todas as regras, normas e tradições aprendidas pela mãe a avó. E continua a segui-las, ainda que tenha pouco a ver com a sua vida e seu entendimento do papel da mulher na atualidade. Ela continua a se apertar no velho papel espartilho, apesar de usar roupas novas por cima.


 
Créditos | Letícia Barreto 2007